A QUESTÃO É...

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A PRÓXIMA E A ÚLTIMA

Sequei
Como folha no outono
Que precisa cair
Para a terra alimentar
 

Chorei
Como criança sem sono
Que não quer dormir
Para se fazer notar

Renasci
Só eu sei como
Que é o sentir
Essa vontade de amar!

Quando abrir uma cerveja gelada numa tarde de Sábado, lembre-se de mim.
Ficam aqui, guardados no mundo, meus velhos e novos amigos, meu amor maior.
Desse último ano, fica aqui o meu melhor.

Um beijo a todos

Edilson



Escrito por Edilson às 12h01




Existe Remédio prá Tudo?

Domingo, na casa da Evans, começamos a lembrar de marcas com nomes esquisitos. O caso que mais me chama a atenção é o de uma empresa de comunicação visual chamada PINTEX. Pô, Pintex?! Parece nome de remédio prá pinto. Problemas com seu pinto? Use Pintex! Daí seguiu uma infinidade de baboseiras, e nem a multinacional Fedex escapou. Muito chulé, amigo? Use Fedex regularmente!

Como seria bom se para cada problema em nossa vida existisse um remédio assim, com um título bem definido e um EX no final. Assim bastaria irmos à farmácia e pedir um Empreguex, ou quem sabe até um Aumentex. Como ando hipocondríaco e sem nenhuma vergonha na cara, além de um Vergonhex, pediria caixas de Aumentex e de quebra um Dormirex, porque não aquento mais perder o o sono no meio da noite.

É claro que essa fórmula comercial farmacêutica edilsônica é tão abrangente que permite a auto medicação por simples análise de causa e efeito baseada em conhecimento puramente empírico. Assim ficaria bem mais fácil a minha vida. Eu tomaria por precaução um Forex e assim evitaria levar um pé na bunda da minha próxima namorada. Como não confio nenhum pouco em remédios, também tomaria algumas drágeas de Fossex e sairia rindo, afinal de contas já saberia de antemão que não perderia o sono, nem a fome, nem os sonhos, nem nada que não quisesse perder. Pensem bem, que lindo slogan seria "Fossex. É melhor previnir...".
Tá! Eu sei. Também devo comprar vários Malhumorex.


Quem quer ver a Eva Vilma pelada?

Sexta-feira é uma festa, não é verdade? Por mais que se queira trabalhar, a maioria das pessoas que te rodeiam querem mais é vadiar mesmo. Na última sexta-feira estávamos todos reunidos tomando um café no escritório quando o Alexandre me chama. Edílson, Vem cá! O pessoal aqui é tudo novinho, mas você que é da minha idade vai se lembrar da Sala Especial.

Putz! Sala Especial. O limite entre a pureza boçal e o escárnio pagão da sociedade brasileira. Sala Especial, para quem não sabe, é um programa veiculado pela Record entre o fim dos anos 70 e o começo dos anos 80. Toda sexta-feira, bem tarde (vale lembrar que naquela época meia-noite era bem tarde), Sala Especial apresentava um filme erótico nacional. Gente, filme erótico já é uma merda. Filme erótico nacional então, Ô judiera! (sempre quis escrever “judiera”, mas tinha sérias restrições morais. Como agora não sou mais dantesco, que se dane se você é judeu e não gostou!)

A coisa era mais ou menos assim. Os homens safados, as mulheres pudicas. Só a Vera Fisher era vagabunda em todos os filmes, mas mesmo assim, em muitos ela fazia papel de santinha e só no fim é que ela tirava a roupa. Quer dizer, parte da roupa, porque mulher toda pelada naquela época, nem pensar. Pelinhos a gente só via os da empregada quando ela ia tomar banho e das daquelas primas mais safadinhas.

Agora não. Basta um clique e ta tudo lá, em foto, vídeo, tudo escancarado. Isso é bom? Será que isso é liberdade de expressão ou a coisa avacalhou mesmo? Eu acho que é bom. Acho que a molecada tem direitos, afinal de contas não é porque eu tive que me contentar com os peitinhos da Eva Vilma uma vez por semana que a comunidade punheteira/siririqueira tem que passar pelo mesmo. E pensar que agora a Record nos obriga a ver aquelas reconstituiçõezinhas de encosto do Fala Que eu Te Escuto. Preferia a Eva Vilma pelada.


Onde estará Beatriz?

Com licença. Pois não. Obrigada. De nada. Apertado aqui, não?! Ah, Desculpe, Eu sou muito folgado. Não!, Não foi isso que eu quis dizer, É que eu acho que eles deveriam oferecer melhores condições, Só isso. Ah, tá (sorriso). (sorriso embaraçado). Você gosta de jazz? Muito, Meu ex-marido tocava, Você toca também? Não. Ahh (boca franzida). Mas gosto muito. (boca franzida com um leve sorriso). Edílson. Prazer, Beatriz. Beatriz?, Que interessante! Por que? Nada, nada, É uma longa história. Ah, não!, Agora eu quero saber! Vamos fazer o seguinte então, Você me dá seu telefone, Eu te ligo amanhã, Nós tomamos um chopp à tarde num lugar aberto com bastante ventilação, Nós falaremos tudo sobre nós, tudo sobre qualquer coisa, Conversaremos a tarde inteira, Nos encantaremos um com o outro, Eu resistirei à vontade que terei de te beijar, E então você saberá porque é a Beatriz da minha vida e eu a pedra no seu sapato. Nossa, Quanta coisa! (olhar assustado). Não é assim que as coisas devem ser?, Não é assim que a felicidade acontece?, Com aquela certeza de que seremos felizes para sempre e só daquele jeito?, Não é assim que a vida se resume num dia só? (terrivelmente assustada). (dancei). Ok. Ok? É (sorriso). (sorriso). Sete horas e cinqüenta e dois minutos na cebeêne, As forças de coalizão no Iraque...(Droga).



Escrito por Edilson às 12h00




Quem é louco?

Quem é louco de se entregar desvairadamente aos sentimentos?
Quem é louco de não resistir a tentação de dizer não, e dizer simplesmente sim, sem pensar em mais nada?
Quem é louco de acreditar que tudo dará certo, mesmo quando tudo aponta para o fim?
Quem é louco de apostar que tudo será diferente, ou que tudo será como antes?
Quem é louco de abrir mão de valores enraizados n’alma e aceitar os valores de outro, por mais diferentes que sejam dos seus?
Quem é louco de jogar qualquer mágoa no lixo em troca de um sorriso?
Quem é louco a ponto de sofrer de tanta felicidade frente a uma simples possibilidade?
Quem é louco de externar todo o seu amor em praça pública, mesmo sem ter certeza de nada?
Quem é louco de conversar com vento, brigar com a solidão e se entregar a quem ama sem nenhum sentimento de culpa?
Quem é louco por acreditar que o amor é mais importante do que tudo na vida?
Quem é louco de sonhar com o passado, planejar o futuro e só viver o presente sem pensar em mais nada?
Quem é louco de sofrer por alguém?
Quem é louco de correr atrás de alguém?
Quem é louco de esperar por dias um telefonema?
Quem é louco de acreditar que a vida não será igual sem ela(e)?
Quem é louco a ponto de apostar tudo onde nada é certo?
Quem é louco de correr o risco de ser ridicularizado só para se declarar a alguém?
Quem é louco a ponto de amar alguém, quando o mundo te manda amar apenas a si mesmo?
Quem é louco de acreditar que o amor poder mudar as pessoas e fazê-las ver as coisas de uma forma diferente?
Quem é louco de acreditar que alguém pode abrir mão daquilo que tem certeza só por que ama ou é amado?
Quem é louco de ressuscitar seu lado mais dantesco, só para deixar bem claro o quanto ama alguém?
Prazer, Edílson.


O que você não conhece?

Você conhece alguém que tem um helicóptero? O tio do Betto tem um. E usa. Ontem o céu estava muito azul, e da mesa de um café eu vi um dirigível cruzá-lo e pensei, Conheço alguém que já voou num dirigível? Não. Fiquei imaginando que voar num dirigível seria como ter viajado de maria-fumaça ou visto aos primeiros filmes dos irmãos Lumiére. Credo! E por falar em filme, você conhece alguém que assistiu ou a um filme intitulado “A Volta do Parafuso” e que já anunciou que pretende ver sua continuação “A Outra Volta do Parafuso”? Eu conheço. A Evans. Até pensei em ir ao cinema neste fim de semana ver algum filme com título simples de história simples para pessoas simples, mas a Cris me convidou para um café, que acabou virando cerveja, e aí já viu né, o cinema virou pó. E por falar em pó, você conhece alguém que foi à Tunísia? A Re foi. Acabo de perguntar à ela, no Messenger, como ela foi parar lá. “Sempre viajo a passeio. Raramente a trabalho” – respondeu ela. Eu, que não conheço nem Pindamonhangaba direito, viajo só nos livros, nos guias e nas histórias contadas por outros. Você conhece alguém que já morou um ano no Rio de Janeiro e não conheceu o Corcovado, nem o Pão-de-Acúcar? Eu preferi ir à praia, beber com os amigos, namorar bastante, que bondinho que nada! Aproveitar o tempo é uma obrigação que deveria estar na Constituição. Todo cidadão brasileiro deve, obrigatoriamente, comer a polenta do colher do Genésio, assistir a pelo menos vinte episódios de South Park, mergulhar em Angra aos dezenove anos e alistar-se no Serviço Prazeroso Obrigatório. Falando em prazer, acabo de me lembrar do Neto. Seu nome é Arsênio, mas ele mesmo preferia ser chamado de Neto, não sei por que. Certa vez ele contou que, quando criança, comia bananeiras em Barretos. Segundo as palavras dele, bastava fazer um furo com a faca, abrir de forma a facilitar a penetração e depois mandar ver na planta. Parece que a bananeira solta um liquidozinho que instiga a imaginação da criançada. E por falar em Neto, você conhece alguém que seja neto da Tarsila do Amaral com o Oswald de Andrade? A Dani diz que conhece. Eu sou neto de Antonio, Benedita e Amélia, que sempre dizia “Carece fazê um arroiz doce pêssi mininu” quando eu chegava à sua casa em Sorocaba. O nome do meu avô materno eu não sei. Agora você já conhece alguém que não sabe o nome do próprio avô.


Qual o peso de um segundo na sua vida?

...E naquele segundo de vida eu a vi cruzando meu caminho, atravessando novamente minha história, como que colocada com as mãos, ali, só para dissolver minhas certezas. Naquele mísero pedaço de tempo o mundo se tornou um palco e o espetáculo parou para eu vê-la passar na minha frente, tão intensa quanto sempre havia sido, tão presente quanto nunca deixara de ser. Quando o sempre e o nunca se juntam para conspirar, nos tornamos títeres encenando um texto escrito pela nossa própria vontade.

Meus passos eram comandados pelo acaso, o senhor do teatro, meus olhos guiados pelos cordéis do inesperado fato, que não deveria ser, mas apenas sonhado. Nesta enigmática trama, um segundo causou um dia e meio de ansiedade, trouxe de volta meses de contemplação, resgatou uma história inteira. Semanas após o segundo transformador me pergunto o que teria acontecido se um único passo fosse dado noutro sentido, se um milímetro de intenção contrária tivesse me levado para fora do palco. Qual a força que tem um segundo de vida para desprezar o que eu já havia sacramentado como imutável? Qual a pretensão de um tempo tão efêmero diante de uma existência inteira? Quantas vidas cabem num segundo?

...E em apenas um segundo aqueles olhos cor de vem-e-me-pega-agora eram novamente meus, só meus, por mais que fossem levados embora pelas mãos do acaso no segundo seguinte. Foi então que eu percebi que o segundo presente era mais forte que qualquer tempo, pois ele continha o ensaio dos próximos anos, o cheiro de centenas de dias e o gosto de uma vida inteira.



Escrito por Edilson às 11h59




Qual a pior besteira que você já ouviu?

Você sabe com quem está falando?
Cada um é cada um.
Sabe o que é? O problema é comigo, entende?
Que saudade dos militares!
Eu não tenho amigo viado.
Timããããooo ê ô, Timããããooo ê ô...
Você viu o Faustão ontem?
Adoro música orquestrada!
Eu não gosto muito do vocalista do Prince.
Claro que é bom. Olha aqui, ó! Meidinhiuéssei.
Eu não faço sexo. Faço amor.
Eu não me arrependo de nada do que fiz até hoje.
Ah, eu não gosto de filme brasileiro. É só pornografia, palavrão, pobreza...
Leãozinho?! Puta música de viado!
Aêêê cavala!
Picasso?! Ahhhhh, então você é chegado num Picasso, né?!
E o baby, Quando vem?
Doar sangue? Hummmm, Não sei, não. Não é perigoso?
Aproveita tudo o que você pode antes de casar, porque depois...
Fazê o quê, né? Foi Deus quem quis assim.
Traz uma Kaiser, por favor!
Timããããooo ê ô, Timããããooo ê ô...


Como você vê o mundo?

No Sábado passado assisti "Diários de Motocicleta". O filme é ótimo, não apenas pelo contexto sócio-político, mas também pela direção do Walter Salles, pelas atuações do Gael Garcia Bernal (o mesmo do excelente "E Sua Mãe Também") e do Rodrigo de La Serna. Nietzsche, em "Para Além de Bem e Mal", afirma que a máxima de Descartes "Penso, logo existo" é um erro, pois não há garantias de que realmente pensamos. Segundo o filólogo (antes de me corrigir, procure saber o que é filólogo), é bem provável que não pensemos, mas que apenas estejamos refletindo pensamentos alheios, que recebemos desde que nascemos. Pensando assim, tudo o que você sabe pode estar errado.

Walter Salles captou muito mais do que imagens. Pelos olhos de Bernal eu vi o mundo de Che. Como você vê o mundo? Com que olhos você enxerga o dia, as pessoas, as expressões de ansiedade e tristeza? Com que olhos você vê um sorriso? O que é um dia de sol prá você? Ausência de chuva ou a presença de esperança? E o cinema? O conjunto de vinte e quatro fotogramas por segundo numa tela grande, ou um outro mundo possível? Como você lê um jornal? Com os seus olhos, ou com os olhos das únicas cinco agências de notícias do mundo? Saramago disse, em "Janela da Alma", que, possivelmente, nossos olhos não suportariam o mundo real.

Estendendo a idéia de Nietzsche, no sábado pensei, Se enxergo só aquilo que vejo, posso muito bem estar cego.


Tinho*

Hoje, talvez pela primeira vez em trinta e cinco anos, não estarei te dando um abraço pelo seu aniversário, mas também, talvez pela primeira vez, esteja deixando tão claro a importância que você tem prá mim.

Nos últimos trinta e cinco anos te olhei como quem quer olhar para um espelho, para se enxergar, procurando um alguém do outro lado, uma imagem da qual se orgulhar. Em todos esses anos te procurei como quem procura um tesouro, que é o dom de ser irmão por uma vida, às vezes pai, o tempo todo amigo. Te olhei de longe trabalhando, te olhei de baixo agitando uma bandeira azul-claro e branca na arquibancada, te olhei de pertinho para não perder cada pé de galinha novo que aparecia, presenciei teu choro quanto teus filhos nasceram, vi teu sorriso em tardes de domingo e tua rabugisse em outras horas.

Nos momentos mais difíceis que passei, lembrar da tua história foi o meu trunfo. Nos momentos mais felizes, sonho com mais trinta e cinco anos para repetir todas essas palavras e tantas outras que eu puder aprender, só para te arrancar um sorriso, uma lágrima, um grito de "blue", para dar um abraço bem forte e te dar os parabéns, não só pelo aniversário, mas por me fazer lembrar de como é bom ter um irmão.

* Tinho é o apelido do Edmilson, meu irmão, que nasceu exatamente cinco anos antes de mim, no mesmo dia e mês. Esta é a transcrição do cartão que mandei prá ele. Gostei tanto que resolvi compartilhar com vocês.


Prá que complicar?

Ah, se você tivesse visto aquele sol que se foi depois do vale depois das seis depois do vento frio que soprou bem depois. Confesso, gosto de algumas palavras incomuns como longinqüidade, atemporal, efêmero e incredulidade. Gosto de usar essas palavras só para deixar o texto mais bonito, mais encorpado, ou talvez apenas para parecer mais inteligente. Mas inteligente mesmo é quem não precisa de palavras específicas para expressar o que pensa.

Ah, se você tivesse ouvido aquela música tocar como foi tocada como foi cantada como foi bonita de se ouvir e como foi. Tem gente que nem precisa falar ou escrever direito para nos encantar. Basta um olhar diferente, um sorriso honesto, um abraço gostoso, e toda a complexidade do mundo vai por água abaixo. Parece que a vida fica mais fácil quando pessoas assim cruzam nosso caminho. Elas têm o dom de não precisar saber de nada, nem dos filmes, nem dos livros, nem da ciência, nem da política, nem das línguas. Elas só sabem ser simples. Só.

Ah, se você estivesse aqui agora para falar o que eu quero ouvir para ouvir o que eu quero te dizer vendo meus olhos olharem prá você ver como a vida é simples. Gostaria de evoluir ao ponto de não precisar de palavra alguma prá me fazer entender. O que sei é que preciso de palavras pouco ortodoxas como pusilânime, exeqüível, inebriante e prolixo. Ah, como eu queria dizer apenas Oi, Tudo bem, Eu te amo, Que saudade, Bom te ver, Aquele abraço, Oba, Que merda!



Escrito por Edilson às 11h58




Amor e Desejo

A minha amiga Ju abordou um tema interessante, que é a diferença entre o amor e o desejo. Acho o assunto tão interessante, que resolvi expor meu ponto de vista:

O amor: Amor, prá mim, é um só. Não existe amor de homem e mulher, amor de pai, amor de mãe, amor de irmão, amor de amigo, amor pelas crianças, pelos bichos. Amor é sempre amor, e é a mesma coisa, independente das partes. Amor é um sentimento magnânimo. É desejar a felicidade de alguém, independente de qualquer condição, tempo, lugar ou forma de relacionamento. Amar alguém significa que desejaremos e/ou faremos o que pudermos para que esse alguém seja feliz, qualquer que seja a situação. Em suma, amor é a bondade em si.

O desejo: Para descomplicar, vou interpretar o desejo como sinônimo de paixão, porque, prá mim, são a mesma coisa. Desejar alguém é querer esse alguém ao nosso lado. É ter vontade de abraçar, beijar, apertar, morder, transar, apenas olhar, é ter vontade de estar por perto, é ter ciúmes, não aceitar dividir com ninguém, é cobrar desse alguém compromisso, é se sentir compromissado, é vigiar o sono, dividir sonhos, compartilhar vidas, é falar de dias melhores, é querer estar junto amanhã e depois também, é não entender o fim, é recomeçar a mesma história todos os dias, traduzir em gestos o que não tem palavras, é perder o fôlego de tanta ansiedade, é querer por querer sem motivo algum, é ficar cismado por nada, é sentir a vida em nossas mãos, é reclamar dos defeitos dela(e) sem abrir mão de nenhum, é o ímpeto de andar de mãos dadas, é o abraço que se dá sem se pedir, é errar pela vontade de acertar, é ouvir Sandy e Junior só prá vê-la(o) feliz, é beijar-lhe a nuca de manhã, é fechar os olhos para o que não se quer ver, é enxergar além do que o mundo é capaz de ver, é falar de amor sem medo e é tudo o mais que dispensa racionalidades. O desejo é insano, egoísta e é o que movimenta as pessoas e transforma suas vidas.

Amo Daniella tanto quanto a desejo. Nem mais, nem menos.


Da série E SE: "O Mundo perfeito do colesterol"

Eu odeio fazer exercício. Não que eu não goste. Eu odeio mesmo. Acho muito chata até mesmo aquela corridinha leve no parque. Academia então, nem pensar. Mas aí a dra. Daniella me diz: "Minou, seu colesterol tá muito alto. Como você tem uma boa alimentação, o problema é um só. Exercício". Por isso, a partir de segunda, lá vamos nós correr no parque.

E se atividade física não fôsse um fator importante para o nível de colesterol. Imagine que malhar zeizentas horas por dia não diminuísse um átomo de colesterol. Até seria ruim. Isso. Exercício aumenta o colesterol. Agora o melhor: E se o que realmente diminuísse o colesterol fosse assistir futebol na TV. Sim! E quanto maior a TV, melhor, mais rápido a pessoa emagreceria. Para completar a atividade, vááááárias cervejas. É isso aí! Cerveja gelada em prol da saúde e bem estar do ser humano.

O mundo perfeito. A mulher/namorada/similar chega em casa, encontra o sujeito sequinho, a porra do tanquinho, aquela saúde de ferro, sentado na frente daquela tela gigante vendo os melhores momentos da segunda divisão do campeonato belga, com oito latas de cerveja espalhadas pela sala. Ela suspira e diz: "Que delícia hein! Bem melhor que esse balofo do Raí".


Vida bizarra - parte I

Eu já havia contado no finado Dantesco que o Agnaldo Rayol cantou no meu casamento. Ele é amigo do meu pai, na época eu tinha só 23 anos e não tava nem aí para a festa. Só queria casar e pronto. E se querem saber, por mais brega que isso possa parecer, ele, o senhor covinha, o fez por amizade, o que é louvável. Bom, o casamento acabou quatro anos depois, mas minha sina com situações bizarras não.

Eu trabalho numa agência digital, que pela primeira vez aceitou fazer a produção e promoção de um evento. Fomos contratados por um camarote ultra vip do carnaval de São Paulo, para o qual o ingresso individual chegava a custar 2 mil reais por noite. Nunca trabalhei com eventos, mas como estava parado na época aceitei dar uma força na produção. Uma das minhas atribuições era atender um captador de personalidades. Sim, um cara ficava ligando para agentes e empresários de personalidades para convidá-los a ir ao camarote na faixa. Logo de cara ele me liga e diz:
- Edilson, tenho uma pessoa para convidar, mas me falta alguém que traduza o convite, pois ele é americano.
- Tá, me manda então, que peço para alguém aqui traduzir. E quem é a pessoa?
- O governador da Califórnia.
- O Xuazinéguer?
- É. Ele já esteve no carnaval do Rio e gostou muito.
- Sei.

Eu convidei o exterminador do futuro para vir ao carnaval de São Paulo. Será que o éfibiái está monitorando este blog agora?
Bizarro isso? Então qualquer dia desses eu conto para vocês sobre a campanha para presidente em São Tomé e Príncipe.



Escrito por Edilson às 11h57




Dos meus universos

Esse condomínio que é a minha mente, onde moram milhares de famílias que fazem questão de se reunir constantemente para fazer barraco por qualquer coisa, por vezes me cansa. Nesses universos todos em que me encontro à cada instante, ora observador distante, ora habitante inconsciente, quase sempre me assustam. Essas incontáveis vidas que renascem à cada amanhecer fazem de mim um eterno errante. E tudo isso enquanto meu time levava o segundo gol da Portuguesa de Desportos.
A questão é: O que é pior?
- Perder para um time da segunda divisão?
- Nunca encontrar a paz?
- Procurar a paz numa arquibancada?


Da saudade

Domingo passado conversava com uma amiga, que me disse ter saudades do que não viveu. Ela falou emocionada dos sonhos que não realizou, da saudade que sente dos lugares que não visitou e da dor pelos amores que não sentiu. Eu, de frente para ela, fiquei assim, com cara de bobo, pasmo com a confissão que, fôsse eu mais inteligente, já teria feito também.

Das as cosias que sonhei e das que vivi, jamais esquecerei daquele carneiro colorido enorme que puxava uma charrete pela rua Cincinato Braga, do caminho até o Bento de Abreu Sampaio Vidal, segurando a mão do meu irmão, olhando aquela bandeira enorme que tremularia em todas as tardes de domingo, dos domingos que começavam mais tarde e sem pressa, das bolachas empilhadas na mesa compondo o cenário da alegria incondicional, fruto da utópica certeza que é a felicidade eternizada diante dos meus olhos, dos olhos das crianças que me rodeavam por um abraço, uma graça, uma vida melhor, dos velhos da Mansão Ismael, que mais nada podiam dar a não ser aqueles sorrisos amarelos no salão escuro onde dançavam uma vez por ano, dos anos que eu sonhei que viriam, dos doces verdadeiros e dos estampados na toalha de natal da Rua Princesa Isabel repleta de amigos secretos e uns tantos verdadeiros, dos aniversários não comemorados, dos meus e dos seus, dos que ficaram, dos que foram, dos que gosto, do gosto que tinha o primeiro beijo, o segundo, o terceiro, o quarto com cheiro de sexo com cheiro de todas coisas que eu faço questão de não esquecer de todas as mulheres que existiram numa só pessoa, da pessoa, das pessoas que cruzaram meu caminho, que mudaram meu caminho, das que caminham comigo, das que seguiram o seu caminho que desconheço porque não lembro de ter aprendido o seu certo, muito menos o seu errado, e dos fragmentos de vida que, no meio da noite, me tiram o sono e tornam a vida tão especial, sofrida, feliz e incompreensivelmente inesquecível.

A dor de quem não realiza está nos sonhos desfeitos. É como se as coisas se desmaterializassem bem à nossa frente, diante de nossos olhos. A força para materializar novos sonhos é o que mantém vivos os sonhadores.


Edna e Ed - Uma História Real (1a. parte)

Olá! Meu nome é Edilson, tenho 35 anos, sou separado e não sei direito com o que trabalho. Mas sei que gosto de muito mais coisas do que não gosto. Nasci numa pequena cidade do interior de São Paulo chamada Garça. Renasci em várias outras cidades, ruas e casas.

De uma outra pequena cidade, chamada Óleo, vem um sujeito de barba ruiva e quase sem cabelos chamado Edcarlos. Não sei se é assim que se escreve seu nome, mas é assim que ouvi do próprio. Sua esposa, Edna, o chama de Ed (Édi). Edna e Ed são muito simples no viver, mas riquíssimos em suas atitudes.

- É verdade. Eu num gostava do Ed no começo. É que ele insistiu muito mesmo.
- Como assim? Você se casou com ele só pela insistência? (Eu, incrédulo)
- Não. Hoje eu gosto muito dele, mas coitado, teve que rebolar prá gente ficar junto?
- Xíii rapaiz. Nem te conto.
- Conta sim. (frio e curioso)
- Ele ficava me seguindo pela rua...
- Espera, conta direito. Não é assim. A gente fazia o mesmo caminho para o trabalho. Ela trabalhava numa fábrica de pecinhas prá soutien e eu numa outra fábrica em frente. Ela sempre se vestia bem, sabe como é crente, né?
- Você é crente?
- Não, eu era evangélica. Mas hoje não sou mais.
- E você sabia que ela era evangélica? Isso não te deixou assustado? Sei lá, desculpe falar assim, mas não consigo me imaginar namorando uma evangélica. Sou quase ateu.
- Eu Sabia, mas fazê o que? Eu gostei dela logo que vi. Queria porque queria casar com ela.
- Casar?!!!!! (preciso descrever o espanto?)

Edna dá um sorriso singelo e doce. Seu rosto de quem nada tem além do próprio amor e da vontade ser apenas Edna, dá o tom da naturalidade com que encarava isso.

- Eu percebia que ele tentava se aproximar de mim, mas eu não queria nada com ele. Ele chegava com aquele papinho, sabe, de A vida é bela, e não sei mais o que...
- A vida é bela? Você dizia isso prá ela? (mais incrédulo do que nunca)
- Dizia. Eu convidava ela prá comê uma pizza, ir numa lanchonete. Não podia convidar prá tomar cerveja, então inventava qualqué coisa.
- Aí um dia ele apareceu na minha casa.
- Mais uma cerveja, por favor. (isso vai longe)

Meu nome é Edilson. Moro num pequeno apartamento alugado e feio, no vigésimo primeiro andar, de onde vejo a cidade, de onde sonho e renasço todos os dias, só para ouvir novas histórias e viver algumas.

- Vâmo indo?
- De jeito nenhum. Quero ouvir essa história inteirinha. Senta aí e me conta tudo.
- Vai demorar.
- Tenho a vida toda.



Escrito por Edilson às 11h56





Edna e Ed - Uma História Real (2a. parte)

- Eu tava na sala quando minha mãe me chamou. Disse que um amigo chamado Ed queria conversar comigo. Fui até o portão. Não acreditei quando vi ele lá. Eu disse "cê tá lôco? Se meu pai te vê aqui, te mata!".
- E aí? E aí?
- Eu tava escondido na esquina. Sabia que o pai dela ia prá igreja todo dia. Foi ele saí preu tchum, corrê pro portão dela.
- Aí ele me convidou prá dar uma volta lá em Tietê. Eu disse não, que não queria, que meu pai não deixava, mas não teve jeito. Minha mãe gostou dele. Me perguntou se ele era bom moço. Eu disse que sim, e ela perguntou "Porque você não namora com ele então?". Eu falei que meu pai não ia deixar. "Deixa que do seu pai eu cuido".

Dona Maria Joana era evangélica, porém menos fervorosa que o marido, e queria mais a felicidade da filha do que a aprovação da igreja. Dona Maria faleceu há exatos dez dias.

- E o que vocês foram fazer em Tietê? (jurando que a história ia ficar picante)
- Andar na praça.
- Ah...
- Mas foi aí que eu conquistei o coração dela!
- Como assim?
- A gente tava lá sentado, e eu falando da vida, que era bela, que eu queria namorar com ela e era para casar. Em seis meis, no mááááximo.
- (Seis meses?!!!!!! – Já nem falava mais. Só arregalava os olhos)
- Aí passou um casal de velhinhos e eu disse prá ela, "Olha que beleza esse canal. Sabe de uma coisa? Eu acho que a gente vai tá velhinho e banguela e ou vô tá bejando sua boca".
- (ausência total de expressão) Aí você se apaixonou por ele?
- É.

Pedi licença para ir ao banheiro, que ficava no fundo da lanchonete. Duas portas distintas separavam o masculino do feminino, que eram sinalizados por um cachimbo e uma rosa, respectivamente. Nesse curto espaço de tempo só conseguia pensar na simplicidade que tem a vida das pessoas que pensam menos e agem mais, no quanto a vida se esforça em nos mostrar um caminho, como que estampando na nossa frente um cartaz escrito "entendeu agora bestão?".

- Bom, aí vocês namoraram seis meses e casaram.
- Xííííiíííí, magina!
- Não?
- Puffff...Mais uma cerveja aí gordô!


Edna e Ed - Uma História Real (3a. parte)

Levy era um evangélico fervoroso, daqueles que não perde um único sermão. Para Levy, sua Edna deveria se casar com alguém do seu gosto, batizado na Congregação Cristã do Brasil.

- Se eu simplesmente chegasse e dissesse pro pai dela que queria namorar com ela, ele não ia deixar.
- O que você fez?
- Comecei a frequentar a igreja.
- Toda semana?
- Três vezes por semana.
- E aí o pai dela começou a gostar de você?
- É. No primeiro dia ele perguntou "Quem é esse aí?". A mãe dela falou que eu era um amigo que queria entrar prá igreja. Eu ia com eles prá igreja, o pai dela sentava lá na frente e eu lá trás, e aí, no meio do sermão, a gente dava uma escapulida prá fora, e voltava quando o culto tava no fim.
- E o pai dela não percebia?
- Não, porque na igreja deles os homens sentam de um lado e as mulheres do outro. Então num dava prêle vê a Edna lá no fundo e do outro lado. E depois, cê acha que ele prestava atenção em outra coisa que não fôsse a palavra do pastor? Ché!
- Era o único jeito de vocês se verem?
- Intão – Edna sorri – A janela do meu quarto dava para o muro da frente. Depois que a gente chegava em casa, o Ed esperava na esquina até que meu pai dormisse. Aí ele se pendurava no muro e jogava uma pedrinha na janela. Quando eu abria, ele mostrava um bilhete com uma declaração de amor.
- Teve uma vez que eu levei um cartaz bem grande.
- Tenho tudo guardado numa caixa até hoje.

E quando Edna quer relembrar, pega a caixa e lê os bilhetes escritos por Ed. Ela não precisa de e-mail, porque Ed concretizou seu amor, porque Edna quis que as palavras se tornassem reais.

- E teve uma veiz que eu tava lá casa dela, o pai dela tava na igreja, e o irmão dela chegou. Ele não sabia da gente porque concordava com o pai. Rapái! Eu corri prá debaxo da cama dele e fiquei lá. E num é que o cara senta na cama, tira o sapato e ainda empurra prá baixo assim da cama, lá onde eu tava?
- Tinha chulé?
- Nossa sinhóra! Aí quando ele foi pro banheiro eu pulei a janela e ó... dei no pé.
- Só prá saber, quanto tempo durou essa combinação?
- Acho que foi uns... – Edna tenta fazer as contas de cabeça.
- Um ano e meio, mais ou menos – Ed fala com naturalidade.
- Um ano e meio freqüentando a igreja três vezes por semana? Saindo no meio do sermão escondido para dar uns beijinhos...
- Prá falar com ela! Que bejinho o quê! Magina que dava prá gente dá uns bejo alí, na frente da igreja!
- Esse cara gosta de você, viu?! E depois desse um ano e meio, aí deu tudo certo?

Os dois riem.

- Não foi bem assim.
- Ai meu Deus!



Escrito por Edilson às 11h55




Edna e Ed - Uma História Real (4a. parte)

Edcarlos deixou a família em Tatuí para se aventurar em Cerquilho, a uns cinqüenta quilômetros de distância da plantação de pimentões de seu pai. A distância é pouca, mas a diferença de vida é muita. Em Cerquilho ele dividia uma casa com mais sete amigos e conta apenas com o parco salário para se manter. Determinado a encontrar o seu amor e casar-se, não mede esforços atingir seus objetivos.

- Depois de um ano e meio freqüentando a igreja, a mãe dela decidiu resolver a situação. Chamou o seu Levy e disse que eu queria namorar com a Edna, e que ela fazia muito gosto desse namoro.
- E ele?
- Ele me chamou e perguntou: "Edna, você gosta desse moço?". Eu disse "Sim".
- E ele?
- Ele se virou prá mim e perguntou: "E o que você quer com a minha filha?". Eu disse que queria casar e fazer ela feliz.
- E ele?
- Ele disse: "Pois eu não quero que você namore minha filha. E a partir de hoje não quero que você apareça mais aqui, entendeu?"

Isso era de se esperar, não era? Por que então fiquei tão surpreso com aquilo? Será que nossa razão é tão vulnerável assim aos desejos? Sim. Naquele momento já desejava que a história dos dois tivesse um dia sequer de normalidade, e os fatos me angustiaram de tal forma que soltei um "Ah não! Assim não é possível!".

- Pois é. Mas foi assim que aconteceu. E aí, prá piorar, meu pai queria que eu conhecesse um amigo dele da igreja, e disse que se eu não facilitasse, a gente acabaria voltando para Itapetininga.
- E você Ed, o que fez?
- Eu disse prá Edna que, se ela quisesse, eu me convertia na religião dela.
- Mas eu quis. Não era justo. Ela era bom, a gente se gostava, ele era trabalhador. Acho que foi ali que eu comecei a crescer. Tomei uma atitude. Disse pro meu pai que não queria conhecer outra pessoa e que também não sairia de Cerquilho.
- Afinal, ele não poderia fazer nada. Você já era maior de idade, né?
- Eu tinha dezessete.
- Péraí. Ela tinha quinze anos quando você foi falar com ela pela primeira vez?
- É.
- E você já queria casar com ela?
- É.

Edna também acena positivamente, um tanto encabulada. Vida que passa depressa, mesmo quando o destino insiste em retardar o fim. Gente que corre atrás de uma vida com tamanha sagacidade que se esquece de pensar na lógica. Talvez não estejam nem aí prá lógica. Talvez queiram apenas se apaixonar, cuidar um do outro, sem esperar pela decisão de ninguém que pense por eles.


Edna e Ed - Uma História Real (parte final)

Edna deixara de ser menina no momento em que assumiu suas vontades. Deixou de ser mais uma ovelha da sua comunidade quando escolheu o seu próprio caminho. Edna virou mulher no instante em que descobriu o que era realmente importante em sua vida.

- Aí ele me chamou de novo prá conversar. Viu que não tinha jeito mesmo, e eu também não ia desistir dela!
- E como foi o papo dessa vez?
- Ah, ele logo de cara disse "Se você é sério mesmo, vamo marcá a data desse casamento". Eu falei prêle assim "Sor qué i agora lá, nóis vâmo! Por mim, caso amanhã cum ela."
- E ele?
- Disse que não precisava sê assim, tão dipressa.
- Ué? O que aconteceu?
- Rapái. Demorô mai ou meno um ano. Esse hómi num se entregô fácil não. Ele quis conhecê meus pais. Levei os véio lá. Ele num tratô eles direito não.
- E seu pai?
- Ele me apoiava. Dizia que se eu gostava dela, tinha que aturá o pai dela.
- Bom, e vocês casaram na igreja dela?
- Não. Eu saí da igreja. Não tinha como ser feliz alí. A gente casou só no cartório, com as nossas famílias.
- E se ocê vê a foto, tá lá o pai dela com aquela carona de brabo!
- E hoje, como ele trata vocês?
- Meu pai morreu uns seis meses depois que a gente casou.
- Você me mostra os bilhetes que você guardou?
- Quando você quiser.

Seu Levy fez o que achava certo. Acreditava piamente que sua filha seria mais feliz seguindo suas orientações. Mesmo errado aos olhos de muitos, ele agiu com a melhor das intenções. A intenção vem da vontade que temos de realizar algo, de construir o cenário que mais nos encanta, aquele que vemos em nossos sonhos, e pelo qual labutamos diariamente. Esse cenário pode ser feito de luxo, pode ser feito de gente, pode ser feito de fé, pode ser em qualquer lugar do mundo, pode ter apenas duas pessoas, pode acontecer agora, no ano que vem ou nunca mais, pode ser breve ou durar a vida toda. Tudo depende da sua vontade.

- Você, por acaso, vai escrever sobre isso tudo é?
- Eu? Magina!

Fim



Escrito por Edilson às 11h53




PIEDADE

Que a vida tenha piedade de nós, que pecamos por perder a chance de ser feliz
Que abrimos mão do direito de nos apaixonar
Que engolimos as palavras por medo de exagerar
Que exageramos no cuidado ao caminhar
Que não enxergamos nosso bem que esteve sempre aqui em seu lugar
Que temos a certeza de que não vamos conseguir o que devemos conquistar
Só porque não queremos arriscar

Que a dor tenha saudade de mim, que passei aqui só prá te dizer
Que te quero só por querer
Que me dá um nó na garganta só de te ver
Que tenho porque tenho que te conhecer
Só porque não posso ser feliz sem merecer

Que os homens tenham inveja de você
O anti-herói sem capa que não sabe voar
O estrangeiro cego que não pode vir
O cachorro pobre que não quer latir
O disforme errante que não tem prá onde ir
O débil amante que só sabe rir
Só porque enxerga o amor onde não pode existir

Que o tempo seja paciente com eles
Porque nós faremos o melhor dos dias
Aqui, aí ou em qualquer lugar
Porque meu agora é muito mais do que eu queria
Bem melhor do que eu podia imaginar
Só porque nunca pensei o que seria
Sentir num só dia tudo o que é possível sonhar


13 Horas

Domingo – 09hs – no Hotel:
- Alô. Pôrra Carol. Você nem prá me ligar, prá dizer se chegou bem em casa ontem à noite!
- Mas eu liguei! Você perguntou onde eu tava, e quando eu disse "em casa", você começou a cantarolar "Ela é de Madureira...".
- Cacete! Não lembro de nada disso. Preciso de uma Neosaldina urgente.

Sábado – 10hs – em Ipanema:
Nem acredito. Tô no Rio e não estou trabalhando. Uhúúúúú!!!!
Passam por mim, uma sereia grávida esculpida na areia, um casal com três dálmatas, um barraco produzido por um policial e duas velhas que gritavam "Você vai ver! Você vai ver!", e uma porção de sonhos.

Sábado – 14hs – no Gula Gula:
- Hum, essa salada parece ótima.
- Você precisa ver Albergue Espanhol.
- E você precisa escrever aquele romance.
- Deus prá mim é mais ou menos assim...
- Sabe o que acontece...
- Putz! Nunca havia pensado nisso. Você tem toda a razão. Caramba!
- (Silêncio)

Sábado – 19hs – Espaço Cultural Laura Alvim (Que eu chamava de Livia Lemos):
- Eu gosto do Lulu.
- Você gosta?
- Detesto o D2.
- Eu adoro o D2.
- (Silêncio)

Sábado – 21hs – no caminho para o Casa Clipper:
- (Bocejo)
- Você tá com sono.
- Não. É um problema de família. A gente boceja o tempo todo. Escova o dente e boceja, liga a TV e boceja, diz alô e boceja.
- Sei.
- Lembrei agora de uma garota que conheci. Ela foi prá Bélgica.
- Bélgica?
- É

Domingo – 00:30hs – Casa Clipper:
- Chefia! Mais uma caipirinha, por favor!
- Dotô! Uma flor prá moça.
- Não, obrigado. Me desculpe, mas se eu te der flores, têm que ser um monte, assim, prá encher os olhos.
- Amendoim aí? Um por dois, dois por três.
- Dá um aí.
- Mais uma caipirinha, por favor.
- Mas você falava...
- Ah, sim...
- Brezizo vazer gigi
- Mais uma por favor.
- Pois é. Também acho...
- Uma rosa prá ela, doutor.
- Ok.
- Mais uma gaibirinha, bor vavor.

Domingo - 16hs – na Rodoviária:
Delícia de dias esses que começam de um jeito e terminam de outro, sem dar nenhuma explicação, nenhuma certeza a não ser a de que não adianta tentarmos prever o futuro. Temos que fazer um presente melhor.
Valeu Carol!


PAIXÃO VERSUS MORTE

Recebi a visita de um amigo
Ele veio me contar
Procurava a paz
A perdeu quando se deixou apaixonar
Mas por que justo aqui
onde tudo jaz?

Pois lhe digo meu amigo
Você está com sorte
Se a paz é inimiga da paixão
Esta é a antítese da morte
E ai de quem não me desafiar
Deixará de beber da minh’alma
O saber amar só por amar.

Agora que você está vivo
Que aprendeu a sofrer
Ainda preciso te contar
Não existe nenhum sentido
Em apenas sobreviver
É preciso um grande amor prá respirar.

Meu amigo foi embora
Esperava de mim respostas
Quando só poesia eu podia dar
Tinha a esperança que eu soubesse das coisas
Mais ai de quem de mim não duvidar
Vagará errante na certeza
De achar que sabe o que é a vida
Sem saber amar.

Agora sigo meu caminho
E canto prá quem quiser ouvir
Essa bossa cheia de carinho
Abro uma cerveja e deixo a vida passar
Cantando bem baixinho
Assim bem devagar
Quem sabe com jeitinho
Um novo amor virá.


MAIS UM DIA

Num dia, a felicidade
Dia de sol, um sorriso que não tem fim
O tempo que não passa
Até música eu faço
Eu mais eu
Mais vivo, mais você
Eu quero

Outro dia, a tristeza
Acorda do nada, uma lembrança
O tempo que não passa
Até lágrima eu faço
Eu mais eu
Não vivo, mais eu
Sofro

Amanhã talvez, a esperança
Não sei quando, você está aqui
Até milagre eu faço
Eu mais eu
Mais vivo, mais eu
Espero

Hoje, a incerteza
Só uma luz azul, tô sozinho
Até querer eu posso
Eu quem sou
Alguém ou não quero ser
Mais você
Desejo



Escrito por Edilson às 11h49





Diálogos de Ademar – O Gramático

- E aí Ademar! Belê?
- Belê.
- Hoje vai ter cervejada lá no boteco.
- Não posso. Vou sair com uma menina aí.
- Gatinha?
- É.
- Mas porque esse desânimo então?
- Ela fala "seje".
- Xííííí

No dia seguinte:

- E aí Ademar! Belê?
- Belê.
- E como foi ontem com a menina do "seje"?
- Como foi? Além de "seje’, ela fala "teje", não entendeu o filme, perguntou quem era esse tal de Jamirocai e adora o Julio Iglesias e o Luis Miguel.
- Putz! Aí é foda! Nem rola nada né?
- Por que não?

Nota: Quer afugentar a zica? Vai tomar várias no Salve Jorge em plena terça-feira com os bons.


Do Amor

Do amor que me fez feliz um dia
Viverei tudo outra vez
Quero lembrar com alegria
Sonhar de novo
Toda sua avidez
Do jeito que a gente queria
Dormir abraçadinho
Rir por qualquer coisa
Sofrer pelo que valia

Do amor que me faz chorar
Tenho até medo de sentir
Um vazio eterno
Uma dor que não quer passar
Tristeza sem fim
Com o gosto amargo do adeus
Daquelas que vão marcar
Com a saudade os próximos dias
Com sonhos falsos por noites e noites
E assim vai ser até a nova vida chegar

Do amor que me fará melhor
Espero que chegue não agora
Mas no tempo certo
O dia em que não mais lembrar
Do que passou de hora em hora
E então terei todo o direito
De viver novamente
Tudo o que foi jogado fora

E pelas mãos do meu querer
Meu amor ressurgirá
Brotando ali onde sabemos
Que tudo pode renascer
Porque nosso destino
Nunca foi viver distante
Infeliz quem não saber
Da alegria que é
Amar até morrer


A VIDA É UM JOGO?

E como todo jogo, alguém vence e alguém perde? Sim, porque empate é para os fracos.
Pois é. Mas um jogo precede outro. Se eu perder o jogo da vida, terei que esperar até a próxima para vencer?

E como sabemos qual o nosso papel nesse time? Porque preciso estar num time. Não sei jogar tênis. Também não sei blefar. Logo o truco não me serve.
Será que o segredo da vitória está em saber montar um time, armar uma estratégia e se algo der errado durante o jogo, trocar as peças?

Se for assim, colocarei meu time em campo, composto só por aqueles nigerianos que arrasaram na última copa: Badoain, Dagase, Deteti, Tadaa, Mominga, Vapornha, Badeque, Naogase, Votenti, Tomonho e Versebo. Na reserva: Dagou, Bacanha, Nagasu, Bacati e Tacura.

Meu time é muito pobre, nem uniforme tem. Parecemos até um bando de flagelados, mas unidos somos imbatíveis. Posso até perder, mas não fugi da luta. Vai encarar?


DIÁLOGOS DE ADEMAR – O Eclético

- (Puta que o pariu! Que ressaca! Vou ficar quietinho aqui, vendo TV...)

trim...trim...trim...

- Alô.
- Oi Ademar. É a Lu. Tudo bem?
- Tudo. E você? (Hummmmm...essa Lu é bem gatinha...)
- Sabe o que é? Eu tô com dois ingressos para ver O Ilusionista, do Jos Stelling. O filme abre a mostra de cinema holandês na casa de cultur...

Enquanto isso na TV: não perca hoje no Pânico, a Sabrina vai chocar um ovo de avestruz!!!!

- Qual o horário do filme?
- Daqui há pouco. Se quiser, posso passar prá te pegar.

Na TV: E ainda hoje, a campanha Volta Clô, com a presença de várias celebridades pedindo a volta de Clodovil...

- Lu, faz o seguinte. Depois do cinema me liga e a gente toma um café. O que você acha?
- (...)
- Lu?
- Tá. Se der eu ligo.
- Ok. Um beijo.
- Tchau.
- (ah, essa ressaca...)


Inesquecível

Sobre o que já sabemos
Ainda há muita verdade
Inexplicável
É essa insana saudade
Que ainda sinto
Indissolúvel
O amor que não acaba com a idade
Viver assim
É impossível

Sobre o que jamais saberemos
É a conclusão que cheguei
Inaceitável
O grande amor da minha vida
Será para sempre
Inatingível
Viver num mundo novo
Novamente eu sei
Insuportável

Sobre o que desconhecemos
Está a força do amor perdido
Indecifrável
É o saber que não existe
Beleza maior do que o vivido
Inabalável
A força desse amor
Ainda hoje
Inesquecível


Diálogos de Ademar – O incrédulo

- (Ai, ai, que sono...)
- Qual o seu signo Ademar?
- (Xííííiíí)...Áries.
- Áries? De quando?
- Como assim?
- De que dia você é?
- (Fudeu!)...18.
- Não acredito!
- No que?
- Seu aniversário foi na semana passada e você nem me falou nada. Quer dizer que aquela reunião, na verdade, era uma festa sua, e que você não quis me levar, não é? Como eu sou idiota. Você tem vergonha de mim, não é? Só quer sexo mesmo? Fala a verdade! Não é isso?!
- Não é nada disso. É que esse negócio de horóscopo me irrita e eu sempre minto e digo que sou de Áries, só prá enganar quem me pergunta.
- Você não é de Áries?
- Não.
- De que signo é então?
- (Que saco! Ela não desiste!)...Touro.
- Sabia! Típico de Touro esse jeito de não se mostrar logo de cara, insegurança diante do novo, fazer segredos, resistir...
- (Aquele Golzinho do Júnior tá ótimo. Só preciso dar um trato na pintura e vai ficar uma beleza...)



Escrito por Edilson às 11h47



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